Carol Fortuna
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  • December29th

    Um drama protagonizado por mulheres, inspirado na obra original de “Tri sestry” – de Anton Chekov.

    Isso era tudo o que eu sabia sobre The Sisters antes de apertar o play. E quando o filme acabou fiquei sem saber como eu ainda não tinha visto essa belezura antes – 5 anos de delay, abafa!

    Eis que descubro uma explicação plausível pro meu atraso cinematográfico: Desejos e Traições – nome dado ao filme no Brasil  e que  mais sugere  uma obra de Nelson Rodrigues, a Chekov  - é uma produção independente, lançada apenas em DVD.  E só deixa a desejar (e trai mesmo) na péssima escolha para o seu título em Português, porque em todo restante, a obra é imperdível.

    Um drama familiar permeado por intensidade e sutilezas. Personagens interessantes, bem estruturados, com primorosa escolha de elenco. Diálogos com densidade e rapidez, executados de forma brilhante. Direção ágil e habilidosa. Um drama com humor sarcástico, com cruas verdades  e muitas perguntas e respostas. Cada fala iniciada pode ser um soco no estômago, um chute na canela ou exatamente aquilo que precisávamos ouvir para continuar. Ou entender.

    O roteiro de Richard Alfieri – que também fez adaptação da obra para o teatro – e a direção de Arthur Seidelman garantem o timing do filme sem cair na monotonia ou na pieguice.  As atrizes Maria Bello, Mary Stuart Masterson e Erika Christensen atuam de forma brilhante, fazendo de suas protagonistas mulheres reais – com toda a beleza de suas angústias. Vale destacar a densidade do ator Erick McCormarck – em um papel que surpreende a quem se acostumou com o  Will de Will and Grace. E a destreza com que Rip Torn dá vida ao sábio Dr. Chebrin.

    É um drama completo, em significado literal e figurado, “onde o cômico pode se misturar ao trágico”. E se mistura, como na vida.

    É uma belezura de filme, como falei no início. Belezura que não é dessas só de se falar, é belezura de assistir e de guardar. Ver, rever e depois de um tempo rever mais uma vez. É belezura do tipo que se renova a cada do espectador.

    Prêmios:

    O longa venceu três prêmios no Dixie Film Festival:  Melhor Filme, Melhor Atriz (Maria Bello) e Melhor Ator (Erick McCormarck); indicado ao Casting Society of America de Melhor Elenco de Independente e Seleção Oficial nos festivais de Tribeca e Hollywood.

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