Um drama protagonizado por mulheres, inspirado na obra original de “Tri sestry” – de Anton Chekov.
Isso era tudo o que eu sabia sobre The Sisters antes de apertar o play. E quando o filme acabou fiquei sem saber como eu ainda não tinha visto essa belezura antes – 5 anos de delay, abafa!
Eis que descubro uma explicação plausível pro meu atraso cinematográfico: Desejos e Traições – nome dado ao filme no Brasil e que mais sugere uma obra de Nelson Rodrigues, a Chekov - é uma produção independente, lançada apenas em DVD. E só deixa a desejar (e trai mesmo) na péssima escolha para o seu título em Português, porque em todo restante, a obra é imperdível.
Um drama familiar permeado por intensidade e sutilezas. Personagens interessantes, bem estruturados, com primorosa escolha de elenco. Diálogos com densidade e rapidez, executados de forma brilhante. Direção ágil e habilidosa. Um drama com humor sarcástico, com cruas verdades e muitas perguntas e respostas. Cada fala iniciada pode ser um soco no estômago, um chute na canela ou exatamente aquilo que precisávamos ouvir para continuar. Ou entender.
O roteiro de Richard Alfieri – que também fez adaptação da obra para o teatro – e a direção de Arthur Seidelman garantem o timing do filme sem cair na monotonia ou na pieguice. As atrizes Maria Bello, Mary Stuart Masterson e Erika Christensen atuam de forma brilhante, fazendo de suas protagonistas mulheres reais – com toda a beleza de suas angústias. Vale destacar a densidade do ator Erick McCormarck – em um papel que surpreende a quem se acostumou com o Will de Will and Grace. E a destreza com que Rip Torn dá vida ao sábio Dr. Chebrin.
É um drama completo, em significado literal e figurado, “onde o cômico pode se misturar ao trágico”. E se mistura, como na vida.
É uma belezura de filme, como falei no início. Belezura que não é dessas só de se falar, é belezura de assistir e de guardar. Ver, rever e depois de um tempo rever mais uma vez. É belezura do tipo que se renova a cada do espectador.
Prêmios:
O longa venceu três prêmios no Dixie Film Festival: Melhor Filme, Melhor Atriz (Maria Bello) e Melhor Ator (Erick McCormarck); indicado ao Casting Society of America de Melhor Elenco de Independente e Seleção Oficial nos festivais de Tribeca e Hollywood.


