Carol Fortuna
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  • January6th

    All Good Things, mal intitulado Entre Segredos e Mentiras aqui no Brasil, foi o meu quarto filme de 2011. Mais uma vez – e sem saber – escolhi um filme baseado em uma história real.

    Uma intrigante trama inspirada na vida de Robert Durst, em que fatos reais se misturam a especulações, oferecendo ao público diferentes possibilidades e reflexões. Uma série de acontecimentos verídicos envolvendo Robert Durst e sua família, incluindo crimes não solucionados, registrados por mais de trinta anos.

    Em uma eficiente atuação, Ryan Gosling (Diário de Uma Paixão) interpreta o complexo David Marks, personagem inspirado em Robert Durst - herdeiro de uma rica família de Manhattan, que tem uma difícil relação com o pai e enfrenta o desaparecimento de sua jovem esposa Katie, vivida de forma memorável por Kirsten Dunst (Homem Aranha, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças).

    Envolto em uma sucessão de evidências, David Marks (assim como Durst) torna-se o mais provável suspeito do sumiço de sua esposa Atormentado desde a dolorosa infância e com a bagagem de um passado mal resolvido, David carrega algo de disfuncional em sua personalidade e parece traçar um caminho ainda mais complicado para lidar com seus traumas e seu cotidiano.

    A direção é de Andrew Jarecki, que embora tenha experiências em documentários e séries para TV, dirige seu primeiro longa – e não faz feio. O diretor mantém uma sutil tensão, que prende o espectador e traz densidade à história, além de fazer bom uso de falshbacks, garantindo coerência à narrativa. O elenco atua em sintonia, mostrando atores em ótimas performances.

    O filme teve lançamento adiado algumas vezes, devido a problemas relacionados ao direito de distribuição. Há boatos de que a família Durst ameaçou processar os produtores durante as filmagens, mas Robert Durst – ainda vivo – diz gostar do longa.

    Entre Segredos e Mentiras chega ao Brasil em DVD, com previsão para março desse ano.

    Merece ser visto! Segue o trailer legendado pra dar um gostinho!

  • January4th

    O segundo filme da minha meta de 365 em 2011 foi Uma Mente Brilhante. Podem me chamar de atrasilda, pois o filme é de 2001… mas achei ótimo tê-lo visto agora! Certamente, há nove anos atrás eu não o absorveria da mesma maneira que hoje.

    Indicado a 8 categorias na premiação do Oscar e vencedor de 4 – incluindo a de melhor filme – o longa conta a história real de John Nash, um solitário gênio da matemática em busca do reconhecimento de seu brilhantismo que se vê envolvido em uma perigosa conspiração.

    Dirigido por Ron Howard (Anjos e Demônios, Apollo 13), o filme tem o roteiro assinado por Akiva Goldsman que baseou-se no livro homônio de Sylvia Nasar – uma precisa biografia de Nash – e recebeu críticas por “modificar um pouco a realidade da história” para tornar o filme mais cativante e, portanto, mais vendável. E conseguiu. O drama protagonizado por Russell Crowe – que mesmo com seu físico todo-fortinho de Gladiador dá ao personagem densidade e fragilidade que ele precisa – prende a atenção do público e emociona.

    Por algum motivo, que não sei qual, o filme me entediou um pouco lá pela metade. Não que eu não tenha gostado, gostei até bastante. Mas essa coisa de códigos e conspiração me deixou estranhamente tensa-entediada. Mas passou rápido. E logo eu estava envolvida novamente por John Nash, sua genialidade, sua personalidade peculiar, sua maneira de enxergar a realidade e sua dificuldades ao lidar com o mundo. John por vezes parece viver em um mundo só dele e  seu pouco traquejo social alimenta um perturbador tipo de solidão. Ao lado de sua esposa Alicia Nash – belamente interpretada por Jennifer Connelly (Réquiem para um Sonho)- John encontra a vontade necessária para lidar com a solidão, a realidade e consigo mesmo.

    O filme me surpreendeu, me inspirou e me emocionou bastante. Beijo e assistam!
    Seguem as premiações, indicações e o trailer:

    Premiações

    OSCAR
    Ganhou
    Melhor Filme
    Melhor Diretor – Ron Howard
    Melhor Atriz Coadjuvante – Jennifer Connelly
    Melhor Roteiro Adaptado

    Indicações
    Melhor Ator – Russell Crowe
    Melhor Maquiagem
    Melhor Trilha Sonora
    Melhor Edição

    GLOBO DE OURO
    Ganhou
    Melhor Filme – Drama
    Melhor Ator – Drama – Russell Crowe
    Melhor Atriz Coadjuvante – Jennifer Connelly
    Melhor Roteiro

    Indicações
    Melhor Diretor – Ron Howard
    Melhor Trilha Sonora

  • December29th

    Um drama protagonizado por mulheres, inspirado na obra original de “Tri sestry” – de Anton Chekov.

    Isso era tudo o que eu sabia sobre The Sisters antes de apertar o play. E quando o filme acabou fiquei sem saber como eu ainda não tinha visto essa belezura antes – 5 anos de delay, abafa!

    Eis que descubro uma explicação plausível pro meu atraso cinematográfico: Desejos e Traições – nome dado ao filme no Brasil  e que  mais sugere  uma obra de Nelson Rodrigues, a Chekov  - é uma produção independente, lançada apenas em DVD.  E só deixa a desejar (e trai mesmo) na péssima escolha para o seu título em Português, porque em todo restante, a obra é imperdível.

    Um drama familiar permeado por intensidade e sutilezas. Personagens interessantes, bem estruturados, com primorosa escolha de elenco. Diálogos com densidade e rapidez, executados de forma brilhante. Direção ágil e habilidosa. Um drama com humor sarcástico, com cruas verdades  e muitas perguntas e respostas. Cada fala iniciada pode ser um soco no estômago, um chute na canela ou exatamente aquilo que precisávamos ouvir para continuar. Ou entender.

    O roteiro de Richard Alfieri – que também fez adaptação da obra para o teatro – e a direção de Arthur Seidelman garantem o timing do filme sem cair na monotonia ou na pieguice.  As atrizes Maria Bello, Mary Stuart Masterson e Erika Christensen atuam de forma brilhante, fazendo de suas protagonistas mulheres reais – com toda a beleza de suas angústias. Vale destacar a densidade do ator Erick McCormarck – em um papel que surpreende a quem se acostumou com o  Will de Will and Grace. E a destreza com que Rip Torn dá vida ao sábio Dr. Chebrin.

    É um drama completo, em significado literal e figurado, “onde o cômico pode se misturar ao trágico”. E se mistura, como na vida.

    É uma belezura de filme, como falei no início. Belezura que não é dessas só de se falar, é belezura de assistir e de guardar. Ver, rever e depois de um tempo rever mais uma vez. É belezura do tipo que se renova a cada do espectador.

    Prêmios:

    O longa venceu três prêmios no Dixie Film Festival:  Melhor Filme, Melhor Atriz (Maria Bello) e Melhor Ator (Erick McCormarck); indicado ao Casting Society of America de Melhor Elenco de Independente e Seleção Oficial nos festivais de Tribeca e Hollywood.

  • December22nd

    City of Ember

    Posted in: Cinema

    Ou Cidade das Sombras (2008). Gravamos(ele) no Telecine Premium e decidimos(ainda ele) assisti-lo hoje de madrugada. Lemos a sinopse(eu – ele detesta sinopses) e achei o filme interessante logo de cara. Pareceu-me um daqueles filmes tensos de fim de mundo, escassez, situações-limite e grandes dilemas humanos. Só pareceu.

    O que vimos(agora somente eu) foi uma boa história central com personagens de pouca profundidade em tramas pouco capazes de prender a atenção do público . Talvez por eu criar expectativas sobre o filme ao ler a sinopse. Talvez por ter um casal de pré-adolecentes como protagonistas. [ Confesso que a segunda alternativa pesa bem mais que a primeira ]

    Tudo bem, pode ser legal – pensei. Passados os primeiros 20 minutos da aventura teen, eu já estava com sérias dificuldades em manter o foco. Talvez por genuína falta de paciência. Talvez por terem colocado uma criancinha irritante, sem carisma e totalmente descontextualizada como estratégia chamariz. Não funcionou. [ E novamente, a segunda opção é mais pesadinha ]

    Os 90 minutos do longa tornaram-se extremamente extensos, a ponto de eu ansiar – para tão breve quanto possível – a sua extremidade final.

    Por fim – e por falar em final – é hora da parte boa: a computação gráfica estava óóóóótema! E acho que valeu a pena assistir. Talvez por causa da computação gráfica. Talvez por ele ter se divertido. [ E pra, mim, o sorriso dele sempre pesa mais ]

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