Sinto falta das suas mãos já trêmulas e pouco firmes, que contrariavam a mente teimosa, inteligente, pouco hesitante e ainda muito lúcida. Do olhar terno, sábio e generoso; do coração puro, das palavras confortantes e generosas; das piadas sem graça, que por vezes me faziam rir; do seu jeito de me enxergar, vendo mérito e beleza em tudo que eu conquistava ou aprendia – ou perdia e desaprendia. Sempre tinha um jeito… você sorria com os olhos, me mostrando o que de bom havia.
Não há dor maior do que não poder te ligar. Ou receber uma mensagem sua sobre o campeonato brasileiro.
Não há dor maior do que saber que você nunca me abandonou e eu não pude estar ao seu lado quando você se foi. E você disse que não queria ir. Você me pediu. Eu não fiz. Não pude fazer, não sabia como.
As boas lembranças ficam? Ficam. Mas fica mais a saudade.
Fica a lembrança dos seus olhos, fica o seu pedido. Fica a minha dor, o meu arrependimento.


