Estamos nas últimas horas do décimo dia do ano e minha situação é a seguinte: tenho 10 filmes assistidos e só 5 deles postados aqui no site. Ou seja, hoje eu deveria escrever sobre os 5 filmes pendentes, mas não vou. Uáááááááá-hahahaha! Porque eu sou RICAAAA!
Hoje eu bem que tentei, mas a cabeça falhou, a DDA atacou, a paciência esgotou, o tempo tá escasso, o calor tá matador e eu não consigo escrever… FazêOquê!
Bem, dei aqui a parcial do 365 Filmes com Ela até hoizi.
Vou comer o jantar especial que o namo fez e (adivinhem!) ver um filminho pra relaxar – porque hoizi eu tô cá macaca! Amanhã eu atualizo postando os filmes acumulados!
Animada com a idéia 365 Filmes com Ela – e determinada a cumprir o combinado comigo mesma – logo após a queima de fogos decidi dar início a minha primeira sessão da maratona de 2011. Passado o efeito dos brindes de Ano Novo, o filme escolhido foi Flash of Genius (Jogada de Gênio – 2008), por sugestão do namo. Aceitei de imediato e ele acertou em cheio na escolha! Filmaço… bem adequado para um começo de ano.
Flash of Genius – baseado em um artigo do The New Yorker – conta a história real de Bob Kearn, um engenheiro, professor universitário, casado e pai de 6 filhos – que nas horas vagas faz de sua garagem um laboratório de invenções. Em meados dos anos 60, Bob Kearns – brilhantemente interpretado por Greg Kinnear (Pequena Miss Sunshine) idealizou e construiu o limpador de pára brisa intermitente e tem sua invenção copiada e produzida em grande escala pela Ford.
O longa mostra a batalha travada entre Bob Kearns – um americano de classe média – e um dos gigantes da indústria de automóveis para provar a autoria de sua invenção, mas vai além. Mostra também até onde um homem consegue lutar pra provar sua integridade e ser justamente reconhecido. Indiferente a reconhecimento financeiro, o personagem mostra até onde estamos dispostos a lutar pelo reconhecimento de nosso caráter e também de nossa sanidade. Trata-se se “uma pequena coisinha chamada Justiça” – o que ela realmente significa pra nós e o quanto acreditamos nela.
Em sua primeira direção – e até agora - Marc Abraham dá conta do recado, pecando somente pelo uso confuso de flash-backs e flashforwards. O elenco, com Lauren Graham no papel de esposa, conta uma história concisa e tocante. O perfil de cada personagem é exposto ao público através de suas reações individuais diante às frustrações e situações insólitas inerentes à batalha de Bob.
Pra quem ainda não viu, Flash Of Genius merece ser visto!
Um drama protagonizado por mulheres, inspirado na obra original de “Tri sestry” – de Anton Chekov.
Isso era tudo o que eu sabia sobre The Sisters antes de apertar o play. E quando o filme acabou fiquei sem saber como eu ainda não tinha visto essa belezura antes – 5 anos de delay, abafa!
Eis que descubro uma explicação plausível pro meu atraso cinematográfico: Desejos e Traições – nome dado ao filme no Brasil e que mais sugere uma obra de Nelson Rodrigues, a Chekov - é uma produção independente, lançada apenas em DVD. E só deixa a desejar (e trai mesmo) na péssima escolha para o seu título em Português, porque em todo restante, a obra é imperdível.
Um drama familiar permeado por intensidade e sutilezas. Personagens interessantes, bem estruturados, com primorosa escolha de elenco. Diálogos com densidade e rapidez, executados de forma brilhante. Direção ágil e habilidosa. Um drama com humor sarcástico, com cruas verdades e muitas perguntas e respostas. Cada fala iniciada pode ser um soco no estômago, um chute na canela ou exatamente aquilo que precisávamos ouvir para continuar. Ou entender.
O roteiro de Richard Alfieri – que também fez adaptação da obra para o teatro – e a direção de Arthur Seidelman garantem o timing do filme sem cair na monotonia ou na pieguice. As atrizes Maria Bello, Mary Stuart Masterson e Erika Christensen atuam de forma brilhante, fazendo de suas protagonistas mulheres reais – com toda a beleza de suas angústias. Vale destacar a densidade do ator Erick McCormarck – em um papel que surpreende a quem se acostumou com o Will de Will and Grace. E a destreza com que Rip Torn dá vida ao sábio Dr. Chebrin.
É um drama completo, em significado literal e figurado, “onde o cômico pode se misturar ao trágico”. E se mistura, como na vida.
É uma belezura de filme, como falei no início. Belezura que não é dessas só de se falar, é belezura de assistir e de guardar. Ver, rever e depois de um tempo rever mais uma vez. É belezura do tipo que se renova a cada do espectador.
Prêmios:
O longa venceu três prêmios no Dixie Film Festival: Melhor Filme, Melhor Atriz (Maria Bello) e Melhor Ator (Erick McCormarck); indicado ao Casting Society of America de Melhor Elenco de Independente e Seleção Oficial nos festivais de Tribeca e Hollywood.